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UnB | Pesquisa avalia impactos econômico e social da pandemia no setor de alimentação

Atualizado: Ago 26

Projeto pretende analisar as consequências do fechamento do comércio no segmento e apontar caminhos para recuperação

Por Secom UnB

Fonte Portal UnB

Fotos Tomaz Silva | Tânia Rego


Para combate à pandemia da covid-19, decretos determinaram o fechamento de bares e restaurantes. Foto: Tomaz Silva/EBC


O setor de alimentação foi um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Ainda que o segmento de entregas de comida por aplicativo tenha tido um aumento significativo de demanda durante o isolamento social, alguns bares e restaurantes foram obrigados a fechar as portas por conta da queda no consumo. Além disso, supermercados foram forçados a adequar-se a novas normas de segurança e ter uma atenção especial quanto ao abastecimento de produtos.

Pensando nas consequências da pandemia nesses empreendimentos, pesquisadores do Laboratório Georedes da Universidade de Brasília deram início a um projeto para avaliar o impacto, em termos econômicos e sociais, do avanço da covid-19 no setor de alimentação no Distrito Federal. Na análise do segmento, serão considerados espaços, como feiras populares de rua, estabelecimentos de comercialização e consumo de alimentos (restaurantes, bares e lanchonetes) e estabelecimentos de varejo alimentício (supermercados, hipermercados, atacarejos, lojas de vizinhança, etc.).

O coordenador do projeto e professor do Departamento de Geografia (GEA) da UnB, Juscelino Eudâmidas, destaca que a ação pode ajudar na realização de um diagnóstico mais amplo dos efeitos da crise sanitária no setor. "De acordo com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar-DF), 20% dos estabelecimentos do DF fecharam definitivamente, com estimativa de demissão de 30 mil trabalhadores e prejuízo de R$ 750 milhões. De posse dos resultados da pesquisa, tanto o setor público como o setor privado poderão tomar medidas mais acertadas e melhor direcionadas, de modo a garantir o abastecimento alimentar, bem como a manutenção dos empregos de todos os atores envolvidos na rede agroalimentar", afirma.

À frente da pesquisa, o professor Juscelino Eudâmidas aponta que pesquisa pode auxiliar no planejamento e retomada do setor de alimentação. Foto: Arquivo Pessoal


Os pesquisadores irão usar informações chave na construção do diagnóstico do setor, como financeiras, sobre injeção de recursos, massa salarial, representatividade no mercado de trabalho formal, além da contabilização e espacialização dos estabelecimentos de comercialização e consumo de alimentos fechados definitivamente e/ou com interrupção de atividades, entre outras. Também será realizado um registro das estratégias adotadas por cada segmento no enfrentamento da crise.

SETOR EM DECLÍNIO


Juscelino aponta a existência de um dilema no atual cenário entre as medidas de prevenção à saúde e de manutenção da economia. "O setor de alimentação foi bastante afetado pela pandemia, o que gerou um conflito de interesses entre parte do governo, empresários e trabalhadores do setor, bem como especialistas em saúde pública e parte da sociedade civil. Por um lado, há um temor da proliferação da covid-19 pelo fato de ser um setor com bastante contato e, por outro lado, a preocupação com prejuízos econômicos", observa.

O professor menciona as consequências do decreto n° 40.539/2020, publicado no mês de março e prorrogado por outros decretos, que determinou o fechamento de estabelecimentos comerciais no DF, como bares e restaurantes, como medida para enfrentamento à covid-19.

"Nos meses subsequentes ao fechamento das atividades comerciais em Brasília, passou-se a observar com frequência o surgimento de faixas comunicando o fechamento de muitos estabelecimentos e a disposição de espaços comerciais, antes ocupados por bares, restaurantes, lanchonetes e docerias, para aluguel. Por tudo isso, é imperativo obter um quadro o mais atual possível dos impactos da pandemia no setor de alimentação", ressalta.

Juscelino frisa alguns aspectos importantes em relação aos resultados esperados da pesquisa. "O primeiro aspecto a se destacar é a sistematização dos dados sobre o setor viabilizada pela realização da pesquisa. Desse modo, será possível obter informações sobre o quantitativo de estabelecimentos, seu perfil, localização e estimativas quanto ao peso do setor no total de empregos. Outrossim, ao realizar entrevistas com os atores diretamente afetados pela crise econômica advinda e, ou, aprofundada em virtude da pandemia, poderemos obter um quadro das necessidades de cada um dos setores, bem como conhecer seus pontos de vista e estratégias utilizadas durante o período. Afinal, a partir do registro das “vozes” desses atores, poderemos, inclusive, socializar medidas e soluções promovidas pelo setor."

Supermercados permaneceram em funcionamento durante a pandemia, mas tiveram que se adequar às medidas de prevenção ao novo coronavírus. Foto: Tânia Rego/EBC


Além do levantamento de informações e entrevistas, os pesquisadores utilizarão da técnica de geoprocessamento de dados para identificação das regiões administrativas do DF que mais registraram fechamento de estabelecimentos.

"Poderemos oferecer aos órgãos de planejamento e aos representantes do setor um retrato o mais atual possível sobre os desdobramento da crise de saúde para o setor. Por fim, espera-se ainda publicar artigos científicos, trabalhos em anais de eventos e produção de podcasts para socialização dos resultados da pesquisa", detalha.

O professor conclui que a pesquisa pode auxiliar no planejamento e na recuperação do setor de alimentação no Distrito Federal: "O diagnóstico permite melhor direcionar a ação tanto do Estado quanto da iniciativa privada, visando superar os entraves à recuperação econômica do setor".

FINANCIAMENTO


O projeto foi aprovado na chamada prospectiva de iniciativas contra a covid-19 promovida pelos decanatos de Pesquisa e Inovação (DPI) e de Extensão (DEX) e pelo Comitê de Pesquisa, Inovação e Extensão no combate à covid-19 (Copei) da UnB. Por enquanto, ele está em estágio inicial e de captação de recursos. Os pesquisadores também têm a intenção de entrar em contato com instituições privadas e associações que possam ter interesse no projeto. 

Para viabilizar o financiamento desse e de outros projetos de pesquisa, extensão e inovação da Universidade com foco no combate à covid-19, o Copei criou, em convênio com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), um fundo para arrecadar doações. Pessoas e empresas do Brasil e do exterior podem destinar recursos para as iniciativas ao acessar o link https://www.finatec.org.br/doacaoprojetos/form

No endereço, é possível definir se a doação irá para um projeto específico ou para o fundo geral. Outro caminho é fazer a doação por meio de depósito (Banco do Brasil, agência 3382-0, conta 7274-5). Para doações em serviços, materiais ou equipamentos, é preciso, primeiro, articular a ação junto ao Decanato de Pesquisa e Inovação (DPI), por meio do e-mail dpi@unb.br