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UnB | Pesquisa pretende identificar impacto da pandemia entre mulheres no DF

Projeto vai mapear disseminação local da covid-19 a partir de notificações de casos entre população feminina

Por Secretaria de Comunicação da UnB

Fonte Portal UnB


Por meio de cartografia da covid-19, projeto irá avaliar de que forma a situação sanitária incide de maneira desigual em homens e mulheres. Foto: Lucio Bernardo Jr./Agência Brasília

Segundo a ONU Mulheres e outras agências internacionais, o impacto e as implicações da pandemia de covid-19 no mundo serão diferentes entre homens e mulheres. No caso delas, além de estarem na linha de frente do combate ao novo coronavírus, precisam lidar com custos físicos e emocionais da pandemia, trabalhos mal remunerados, capacidade de garantir a subsistência afetada pelo atual contexto e aumento da violência doméstica durante o período de isolamento social.

Para entender como a pandemia impacta a vida das mulheres no Distrito Federal, pesquisadoras do Observatório Amar.é.linha, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de Brasília, deram início ao projeto Cartografia da Covid-19 a partir da notificação de mulheres no Distrito Federal.

A iniciativa foi uma das aprovadas em edital do Comitê de Pesquisa, Inovação e Extensão de combate à covid-19 (Copei) e dos decanatos de Pesquisa e Inovação (DPI) e de Extensão (DEX) para viabilizar apoio financeiro à execução de ações da UnB de enfrentamento à pandemia. A equipe aguarda a liberação dos recursos.

>> Projetos da UnB de combate à covid-19 têm financiamento aprovado em edital 

Com base em dados oficiais sobre a pandemia no DF, a equipe irá observar e mapear o percurso da covid-19 para compreender como a crise sanitária incide de maneira desigual em homens e mulheres. A proposta é que seja feita uma cartografia do comportamento de transmissão do vírus entre o público feminino nas regiões administrativas do DF, especialmente as de menor renda familiar e maior precariedade de infraestrutura. Para o trabalho, as pesquisadoras utilizarão software de geoprocessamento.

Além disso, o trabalho irá categorizar situações cotidianas para compreender as vivências das mulheres em suas diversas dimensões, levando em consideração a atuação no mercado de trabalho, em casa e na sociedade.

"Uma pesquisa da Codeplan de 2018 já apontava que as mulheres são maioria no DF, principalmente na faixa da população economicamente ativa. São também as mulheres as principais responsáveis pelos cuidados das crianças e dos idosos e pelos trabalhos como atendentes, domésticas e babás, bem como estão na linha de frente do trabalho na área da saúde", observa a coordenadora do projeto e professora da FAU, Maribel Aliaga Fuentes. 

EVOLUÇÃO DA PANDEMIA


 A professora aponta alguns dados sobre a incidência da covid-19 no início da disseminação local. "Na segunda quinzena de março, foi decretado o isolamento social, com a intenção de diminuir a velocidade da contaminação pelo novo coronavírus no Distrito Federal. Ao acompanhar os boletins sobre a contaminação local, percebemos que estávamos em curva ascendente. Naquele momento, homens entre 20 a 39 anos apresentavam maior contato com o vírus. E, no caso das mulheres, a maior contaminação era na faixa de 40 a 49", detalha a docente.

Maribel Fuentes lembra que o primeiro caso de covid-19 divulgado em Brasília, em março, foi de uma moradora do Lago Sul, com 52 anos de idade, que retornou ao Brasil, após viagem à Europa, com sintomas da doença. Com a disseminação do vírus pela cidade, diferentes regiões administrativas do DF foram afetadas e as mulheres das classes trabalhadoras tornaram-se mais vulneráveis ao contágio.

"Não demorou muito, a doença foi traçando seu rastro em todo o DF, num percurso que começou na área nobre de Brasília e seguiu em direção às cidades satélites. No seu caminho, o vírus fez a sua primeira vítima, com menos de 20 anos de idade, em Samambaia. Isso demonstrou às trabalhadoras que se deslocam no transporte coletivo e sofrem com a falta de infraestrutura das casas e da cidade que esses espaços seriam convenientes para a propagação do vírus. Mapear e cartografar essas vulnerabilidades e ausências é importante na busca por uma sociedade mais justa, inclusiva e humana", afirma.

Projeto conta equipe majoritariamente feminina, formada por docentes e discentes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e do Instituto de Física, além de um técnico administrativo. Foto: Arquivo pessoal

METODOLOGIA


 Será feito o cruzamento de informações da Secretaria da Saúde (SES-DF), Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), do Registro Civil e da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan-DF). Elas serão analisadas e transformadas em mapas e relatórios que permitam obter um panorama da situação da pandemia por gênero, faixa etária, geolocalização e infraestrutura urbana.

Também serão empregados dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como referência para a interseção de informações em análises estáticas e geoestatísticas da pesquisa.

"Partindo da premissa de que, para propor qualquer ação de prevenção, é preciso entender a diversidade e como os corpos ocupam os espaços privados e públicos, o grupo se organiza de forma coletiva, buscando cruzar o conhecimento empírico com o científico. Colocamo-nos como pesquisadoras sensíveis às questões das mulheres e feministas", afirma Maribel.

Também fazem parte da equipe as professoras Carolina Pescatori, da FAU, e Erondina Lima, do Instituto de Física (IF) e o técnico administrativo da FAU Valmor Cerqueira Pazos. Há também integrantes do corpo discente: da FAU, Iriani Jéssica, Júlia Bianchi, Júlia Valença, Lorrany Arcanjo, Mariana Bastos e Mariana Leite; e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Luiza Dias (mestrado) e Leila Saads (doutorado).

Segundo Maribel, a pesquisa já tem alcançado alguns resultados. "Estamos produzindo constantemente material informativo divulgado pelas redes sociais, participando de seminários nacionais e internacionais. Buscamos divulgar nossa metodologia de trabalho, para que outros grupos também possam fazer as suas cartografias, além de desenvolver pesquisas de iniciação científica, artigos e cartilhas", relata a coordenadora da iniciativa. Mais informações sobre o projeto estão no perfil do projeto no Instagram (@amarelinhaobservatorio).

INCENTIVO


Outras iniciativas de combate à covid-19 da Universidade podem ser contempladas com financiamento. É possível contribuir com a destinação de recursos financeiros ao fundo de doações criado pelo Copei, em convênio com a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). Para financiar um projeto, acesse o link: https://www.finatec.org.br/doacaoprojetos/form.

As doações são feitas por meio de boleto, depósito bancário, cartão de crédito ou PayPal, podendo ser oferecidas a projetos específicos ou ao fundo geral. O comitê gestor do fundo irá direcionar as contribuições, de acordo com os critérios de classificação nas chamadas prospectivas de iniciativas de enfrentamento à covid-19 realizadas pelo Copei, DPI e DEX.

Serviços, materiais ou equipamentos também podem ser doados. Para isso, é preciso, primeiro, articular a ação junto ao Decanato de Pesquisa e Inovação (DPI), pelo e-mail dpi@unb.br.

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