• Sintonia

Professor da UFG expõe intervenções em ruínas na cidade

Exposição virtual “Des-arquivos” traz a reflexão sobre a passagem do tempo e as transformações dos centros urbanos

Por Carolina Melo

Fonte Secom UFG

Fotos Divulgação


Por trás do escombro há uma história a ser contada, que quase sempre se perde, assim que desaparecem os restos do que um dia foi uma construção. Com o olhar sensível aos prédios demolidos na cidade, o professor da Faculdade de Artes Visuais (FAV) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Glayson Arcanjo de Sampaio, elaborou a exposição “Des-arquivos”, que atualmente pode ser visitada de forma online pelo Museu Universitário de Arte da Universidade Federal de Uberlândia (MUnA/UFU). A mostra pode ser apreciada até o dia 31 de julho. Nela, as intervenções nos espaços em demolição, que interagem com a poeira, os tijolos, pedras e pedaços de paredes, chamam a atenção para a passagem do tempo e para as transformações dos centros urbanos.

A exibição das obras permite ao espectador um passeio pelas ruínas por meio dos desenhos, vídeos e fotografias realizados pelo artista no interior das casas e nas edificações. De forma intencional, elas geram a reflexão sobre as relações fluidas do mundo contemporâneo, sobre a dinâmica das grandes cidades e a relação entre o tempo, o espaço e a matéria. Também levantam o debate sobre “as especulações e os mercados imobiliários, o número excessivo de imóveis vazios nos centros das cidades e, contraditoriamente, a falta de moradia para as pessoas”, afirma o artista.


A exposição é resultado dos processos criativos e trabalhos artísticos do professor Glayson Arcanjo realizados ao longo de 10 anos, entre 2007 e 2017, nas cidades de Belo Horizonte, Uberlândia, Prata (MG), Goiânia (GO), Campinas e São Paulo (SP), e que também foram base para a sua pesquisa de doutorado “Em demolição: notas sobre desenho, processo e lugar”, realizada no Instituto de Arte da Unicamp. “As investigações foram motivadas pela necessidade de melhor compreender as questões que envolvem as transformações das matérias e a passagem do tempo e flertam com as condições específicas da ruína em um dado espaço em demolição”, afirma o professor. Os trabalhos, segundo Glayson, levaram ele a refletir, inclusive, sobre o próprio trabalho do artista, professor e pesquisador imerso em seu processo de criação em arte.


Do presencial ao virtual


A proposta de expôr as intervenções artísticas de Glayson Arcanjo foi pensada inicialmente para o formato presencial. Além do MUnA, a exposição foi selecionada para ser exibida também no Centro Cultural da UFG e no Centro Cultural da UFMG. “Todas seriam realizadas em 2020, mas foram adiadas por conta da necessidade do distanciamento social e fechamento dos espaços públicos com a pandemia”, conta o artista.

Com a proposta da exibição virtual, o artista repensou a abordagem e se deparou com a ideia de “abrir os arquivos” (imagens, textos, fotografias, desenhos, objetos coletados nas demolições). Nesse sentido, a exposição foi concebida para o espaço virtual em diálogo com a artista e pesquisadora, Paula Almozara, que assina o texto de apresentação da exposição, e com o artista e professor da UFU, Douglas de Paula, responsável pela diagramação e design da experiência virtual. De acordo com Glayson, foi criado um ambiente que possibilitou, inclusive, a exibição de trabalhos preparatórios que fizeram parte da pesquisa de campo e do trabalho em ateliê, como desenhos e notas produzidas em cadernos de desenho, livros de artista e diários visuais. “Também selecionei algumas imagens de trabalhos que nunca havia mostrado ou, em alguns casos, que foram adaptados ao formato do ambiente virtual”.

2 visualizações0 comentário