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Fungos 'do bem' podem ser solução para Aterro Sanitário de Brasília e região | UnB

Proposta de alunos da UnB que deve ir à competição mundial busca resolver contaminação causada por chorume e ainda gerar energia elétrica

Por Marcela D'Alessandro

Fonte Portal UnB

Projeto Gilluz pretende tratar chorume do antigo lixão da Estrutural e ainda gerar energia elétrica para abastecer a região. Arte: Divulgação


O lançamento da versão latina do torneio International Genetically Engineered Machine (iGEM), a iGEM Design League, foi o estímulo que estudantes dos cursos de Biotecnologia, Biologia, Farmácia, Agronomia e Administração da Universidade de Brasília precisavam para se juntar e tentar propor uma solução a um grande problema local por meio da biologia sintética. O novo ramo da biologia agrega conhecimentos de diversas áreas para compreender e manipular sistemas biológicos.

Após diversos encontros virtuais, dez alunos de graduação e cinco tutores decidiram focar os trabalhos nas questões que ainda pairam sobre o antigo lixão da Estrutural, hoje transformado no Aterro Sanitário de Brasília.

“Conhecemos o histórico do segundo maior lixão a céu aberto do mundo, que era o lixão da Estrutural. Fomos atrás de estudos sobre como está atualmente, depois de seu fechamento, quais foram as soluções tomadas. Conversando com alguns professores, entendemos que mesmo após a substituição pelo Aterro, ele não tem uma vida útil muito longa e também já aconteceram diversos casos de vazamento de chorume. Nos preocupamos muito, porque os recursos hídricos dessa região abastecem cerca de 500 mil pessoas. E foi aí que pensamos: vamos resolver esse problema”, conta a estudante Maria Victória Luz, de 20 anos, que vai para o sétimo semestre do curso de Biotecnologia.

Segundo ela, o desafio naquele momento era identificar como o grupo conseguiria utilizar os conhecimentos de sala de aula para oferecer uma solução que beneficiasse duplamente a sociedade.

“Pensamos então nas regiões vulneráveis que há em volta e como poderíamos não só biorremediar o local, ou seja, utilizar microrganismos para degradar compostos presentes no chorume, como também trazer outro benefício não só ao meio ambiente e à saúde das pessoas, mas para a sociedade em geral. E foi aí que pensamos na biodigestão, na transformação [do chorume] em eletricidade”, rememora Maria Victória.

Professora do IB Cíntia Coelho supervisiona equipe e considera positiva a participação no torneio internacional. Foto: Arquivo pessoal

Ou seja, com modificação genética, microrganismos vivos seriam capazes de transformar chorume e resíduos do Aterro Sanitário em eletricidade. E daí veio o nome do projeto que seria desenvolvido: Gilluz, uma mistura do gênero dos fungos utilizados, o Aspergillus, e de “luz”, que vem do objetivo de produzir energia elétrica por meio deles.

“Os alunos estão em fase inicial de projeto e será preciso fazer profunda revisão de literatura, que os auxiliará na proposição da melhor solução e será muito importante para entenderem o que já foi feito e o que ainda pode ser feito para solucionar o problema a ser estudado. Em projeto de pesquisa é preciso buscar uma solução viável para responder a questão”, afirma Cíntia Coelho, docente da UnB que supervisiona o grupo.

Ao lado do pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Luciano Paulino, a professora, ligada ao Departamento de Genética e Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas (GEM/IB), acompanha a evolução do projeto semanalmente.

“Somos professores-suporte e nos reunimos com os alunos, pelo menos, uma vez por semana. O nosso suporte tem sido desde a etapa inicial, em que os alunos estão focados na busca de auxílio financeiro para participar da competição até o brainstorm que tivemos para eleger o problema a ser resolvido pelo grupo por SynBio [biologia sintética]. No futuro, acredito que nosso suporte será estendido para montagem in silico do projeto de pesquisa, iniciando com o desenho experimental”, detalha Cíntia.


Montagem in silico significa a partir de recursos computacionais. Segundo os alunos pesquisadores, esta etapa é importante para descobrirem previamente o potencial da iniciativa, que aborda simulações e modelos computacionais que suportam a aplicação do projeto em campo, sem a geração de possíveis riscos.

Grupo iGEM UnB/Embrapa é formado por dez estudantes de graduação e cinco tutores. Imagem: Divulgação/Gilluz

Para avançarem no desenvolvimento do projeto e participarem da competição iGEM Design League, os estudantes precisam de ajuda para financiar a inscrição no torneio, aberta até 7 de julho. Uma vaquinha virtual pretende reunir R$ 15 mil, que englobam ainda custos com aulas e softwares utilizados para executar o projeto.

PARA SABER MAIS – A proposta dessa primeira edição do evento, que foca a América Latina, é que as equipes mostrem soluções para problemas locais de maneira criativa e inovadora através da biologia sintética, a qual é baseada em um ciclo de quatro etapas: Design, Construção, Teste e Aprendizado.

O torneio em que o time da UnB, em parceria com a Embrapa, pretende se inscrever se concentra na primeira fase, de desenho, com o objetivo de permitir a expansão dos projetos apresentados e criar soluções a partir das ferramentas digitais. No próximo ano, há possibilidade de o grupo participar da competição geral, que envolve os outros passos de construção (síntese) e teste.


Conheça o projeto Gilluz:


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