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Efeitos do tabagismo no organismo humano | Artigo da Uergs

O dia 31 de maio é reconhecido como o Dia Mundial Sem Tabaco, produto que mata mais de 8 milhões de pessoas por ano, segundo a OMS.

Por Eduardo Alexandre Backs Sivinski¹ e Jane Marlei Boeira²

Fonte Portal UERGS


O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. O hábito de fumar é considerado como uma doença epidêmica que causa dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas como álcool, cocaína e heroína. Em função disso, este estudo teve como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre os efeitos induzidos pelos compostos presentes no tabaco ao corpo humano. Foram utilizados sites oficiais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), Instituto Nacional do Câncer (INCA), Ministério da Saúde (MS), entre outros, e seis artigos publicados para compilação dos dados.


Como resultados, encontramos que a fumaça do cigarro é uma mistura de aproximadamente 4.720 substâncias tóxicas diferentes constituída por duas fases fundamentais, a fase particulada e a gasosa. Nessas duas fases, temos diversas substâncias como monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, além de 43 substâncias cancerígenas, sendo as principais: arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos (DDT) e substâncias radioativas (polônio 210 e carbono 14).


O tabaco pode ser utilizado em diversas formas: inalado, aspirado e mascado e todas trazem malefícios à saúde, caracterizando o cigarro como uma das maiores causas evitáveis de adoecimentos e mortes precoces em todo o mundo. São mais de 50 doenças relacionadas ao consumo de cigarro e as estatísticas revelam que os fumantes, comparados aos não fumantes, apresentam um risco 10 vezes maior de adoecer de câncer de pulmão, 5 vezes maior de sofrer infarto, 5 vezes maior de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar e 2 vezes maior de sofrer derrame cerebral.


Os produtos do tabaco que não produzem fumaça também estão associados ou são fator de risco para o desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como para muitas patologias buco-dentais. Um importante dado encontrado foi que fumar durante a gravidez traz sérios riscos para a gestante e também aumenta o risco de mortalidade fetal e infantil, principalmente devido aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina.


A OMS aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Mais de 7 milhões dessas mortes resultam do uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 milhão é o resultado de indivíduos não-fumantes expostos, denominados de fumantes passivos. No Brasil, 443 pessoas morrem a cada dia por causa do tabagismo. Cerca de 80% dos fumantes no mundo vivem em países de baixa e média renda onde ocorrem mais doenças e mortes relacionadas ao tabaco, pois tais países têm uma estrutura mais precária e uma grande dificuldade para implantar campanhas efetivas.


Dentro do problema do fumo passivo, metade das crianças no mundo convivem com fumantes em casa e muitas podem desenvolver pneumonia, bronquite, agravamento de asma, e uma maior probabilidade de ter doença cardiovascular na idade adulta. Atualmente, diversos métodos são indicados para acabar com o hábito tabagista e os benefícios são diversos: após 20 min, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal; após 2h, a nicotina circulante no sangue não é mais detectada; após 8 h, o nível de oxigênio normaliza e, após 12h a 24h após o último cigarro, os pulmões apresentam uma melhora no funcionamento. A longo prazo, se percebe também diversos benefícios: após 2 dias, melhora do olfato e do paladar; após 1 ano, o risco de morte por infarto já foi reduzido pela metade; em torno de 5 a 10 anos sem fumar, o risco de infarto será igual ao de pessoas que nunca fumaram.


Podemos concluir com este estudo que o tabaco induz sérias alterações no nosso organismo e que as campanhas para eliminar esse hábito devem ser realizadas o ano todo para conscientizar a população e, principalmente, os jovens, sobre os malefícios causados pelo tabaco.


1 - Eduardo Alexandre Backs Sivinski¹ : Graduando do Curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Unidade Porto Alegre, Universidade Estadual do Rio Grande do Sul;


2 - Jane Marlei Boeira: Orientadora, Unidade Porto Alegre, Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, UERGS.

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