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Docente da UFSCar discute novos currículos para Química na Nature

Processos químicos têm papel central no modo de produção e reprodução da vida e, por isso, a busca por uma Química que contribua para um mundo sustentável é cada vez mais presente. Vânia G. Zuin, docente no Departamento de Química (DQ) da UFSCar atuante no campo, defende que um passo essencial é possibilitar a formação de profissionais considerando os contextos históricos, econômicos, sociais e éticos no qual estão inseridos.


Por Adriana Arruda

Fonte Portal UFSCar


Na avaliação da docente, os currículos atuais não respondem às demandas de uma formação que associe o conhecimento específico à visão crítica e reflexiva. O foco fica nos conceitos específicos, independentemente dos contextos em que são praticados e sem margem para articulação com outras áreas. "Os tópicos e conceitos de Química que historicamente têm feito parte dos currículos devem ser revisitados para que esses estudos incluam discussões envolvendo alternativas sustentáveis, com base em cada realidade e no contexto sociocultural de determinada região", situa.

Estudos na área devem incluir discussões envolvendo alternativas sustentáveis (Imagem: Vânia Zuin)

A pesquisadora da UFSCar também atua como professora visitante no Centro de Excelência em Química Verde da University of York, no Reino Unido. Sobre a temática, acaba de publicar na Nature o artigo "Towards more sustainable curricula", junto com Klaus Kümmerer, do Instituto de Química Ambiental e Sustentável da Leuphana Universität Lüneburg, da Alemanha.


Um importante movimento para o desenho e a implementação desses novos currículos está na diferenciação entre Química Verde e Química Sustentável. "A Química Verde se concentra no estudo de materiais e processos menos perigosos ao ambiente e às pessoas, na prevenção da poluição, na minimização do desperdício e da demanda de energia em processos químicos. Já a Química Sustentável tem uma abordagem mais ampla, na tentativa de compreender a realidade, incorporar avanços de outros campos e interagir com as demais ciências, tendo como foco a inclusão de alternativas sustentáveis para produtos, processos e serviços", explica Vânia Zuin. Ambas, no entanto, são importantes elementos na formação de futuros profissionais.


Assim, os debates relacionados à transformação da educação no campo da Química passam pela incorporação de reflexões sociais, filosóficas, culturais e éticas. Na visão da pesquisadora da UFSCar, o currículo precisa ser entendido como uma trajetória, em que os estudantes constroem a compreensão de conceitos a partir de suas experiências, e não como um plano prescritivo, como ocorre com o currículo atual. "Para realmente incorporar a Química Sustentável nos corações e mentes dos estudantes, a importância dos produtos químicos e de suas funções em vários setores da indústria e na sociedade precisa ser definida nos estágios iniciais dos cursos de Química", defende.


Um exemplo prático é o uso da biomassa em diversos setores, como o alimentício, combustíveis e em produtos de higiene pessoal. "Nem sempre um produto verde será mais sustentável. É o caso de produtos feitos a partir de biomassa (ou seja, considerados 'verdes'), mas que são manufaturados de maneira não sustentável - por exemplo, usam uma matéria-prima que não tem reposição fácil ou têm problemas trabalhistas e de direitos humanos, que são questões que extrapolam os conceitos específicos de Química", exemplifica a pesquisadora.


Assim, não basta fazer uso da biomassa, mas é preciso analisar seu ciclo de vida. "O ciclo de vida é uma metodologia que permite avaliar também os impactos gerados por determinado produto ou material, desde a extração da matéria-prima até sua utilização e descarte", relata Vânia Zuin. Ou seja, é preciso conhecer, além dos constituintes e processos, as suas implicações mais amplas, como as ambientais (de onde vem, como é obtido?), sociais, de saúde (causa malefícios às pessoas?), dentre outras, para que o uso de determinado produto se adeque, de fato, a um desenvolvimento sustentável, satisfazendo as necessidades atuais sem comprometer as de gerações futuras. "Esta é a importância de termos uma visão que vai além de conceitos puramente químicos, levando em consideração as variáveis nos mais diversos âmbitos", conclui a pesquisadora.


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