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Dúvidas sobre a vacina contra o coronavírus? A UFFS esclarece pra você

Professora Gabriela Gonçalves de Oliveira respondeu as dúvidas da comunidade


Fonte Portal UFFS


Muito antes da chegada da vacina contra o coronavírus, ela já despertava dúvidas da comunidade. Para ajudar você a entender um pouco mais sobre essa vacina, nós pedimos para a professora do curso de Medicina do Campus Chapecó, Gabriela Gonçalves de Oliveira, para tirar as dúvidas da comunidade acadêmica e regional que chegaram através da nossa rede social Instagram.


A longo prazo a vacina pode causar algum problema de saúde?


Gabriela Gonçalves de Oliveira - Não. As vacinas passam por diversas etapas antes de ocorrer autorização pelos órgãos de fiscalização brasileiros como a ANVISA e outros órgãos internacionais, aos quais também observamos as recomendações. Os testes iniciais, os quais incluem os toxicológicos, servem para avaliar essa possibilidade. Se for observado, se rejeita o imunizante em teste. Se analisarmos os efeitos graves agudos ou crônicos, como alergias, síndrome de Guilán Barré, entre outros, são bastante raros, na ordem de 1 indivíduo para milhões. Contudo, os efeitos benéficos, como a redução da mortalidade de milhões de pessoas no mundo, justificam a utilização da vacinação; considerada uma das maiores aquisições da Medicina.


Vai deixar estéril?


Não há relatos científicos com embasamento na literatura que a vacina contra COVID ou outra vacina cause esterilidade.


A vacina é segura? Como ter certeza?


As vacinas são seguras. Grande parte do tempo normalmente levado para desenvolver uma vacina era regulatório – prazos burocráticos, que foram – esses sim – flexibilizados durante a pandemia. A velocidade de desenvolvimento das vacinas é também consequência de muitos anos de evolução científica e tecnológica, que permitiram avanços na identificação da composição do vírus e aplicação de técnicas modernas e variadas que já vinham sendo aplicadas em testes de outras vacinas.


Além disso, a situação de pandemia, com a rápida disseminação do vírus e número expressivo de infectados, acelera a fase de teste de eficácia e segurança. Se uma parte dos voluntários adquire a doença, é possível avaliar, num período relativamente curto de tempo, se a vacina protegeu. Milhares de pessoas se voluntariaram para participar das três fases de teste em humanos, contribuindo significativamente para obtenção de resultados finais em espaço de tempo relativamente curto. As vacinas testadas até então são seguras e não causaram efeitos adversos significativos.


Para qualquer vacina ser liberada, é necessário que antes sejam feitos testes de segurança e eficácia. Sendo assim, as vacinas contra COVID-19 estão sendo rigorosamente testadas, através de ensaios clínicos controlados, com milhares de voluntários em todo mundo, incluindo aqui no Brasil, tendo se mostrado seguras.


As vacinas atuais são de vírus inativado ou que se utilizam de vetores virais que trazem uma parte do vírus para o sistema imune, além daquelas de ácidos nucléicos e proteínas recombinantes já aprovadas ou em fase final de aprovação. Nenhuma delas tem potencial infeccioso.


Antes da aprovação para uso na nossa população, as vacinas terão que passar por critérios pré-estabelecidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Após a liberação para uso, as agências reguladoras e comunidade científica brasileira estarão constantemente monitorando os efeitos das vacinas para uma ação rápida em conjunto com as agências reguladoras e os institutos de pesquisa.


50% de segurança de uma vacina é eficaz? Porque o povo não espera para tomar a da Oxford?


Na realidade estamos falando de eficácia. A vacina é altamente segura. A eficácia global da CORONAVAC é de 50,38%. De 4653 vacinados, 85 pessoas foram infectadas e exibiram algum sintoma. De 4599 não vacinados, 167 pessoas foram infectadas e exibiram algum sintoma. Uma pessoa não vacinada e exposta ao vírus tem o dobro de chance de ter a COVID-19 do que alguém que foi vacinado. Muitas outras vacinas que tomamos no dia a dia possuem eficácia semelhante à CORONAVAC e o que observamos? Menor mortalidade e morbidade em geral. Não se trata de aguardar a vacina de Oxford. Temos políticas públicas e contratos que dependem de acordos políticos, econômicos, disponibilidade de insumos, entre outros. Além disso, se observou que a CORONAVAC reduziu significativamente os sintomas e gravidade da doença, o que justifica sua utilização.


Se muitas pessoas não quiserem se vacinar pode atrapalhar a imunização e acabar não funcionando?


Sim


Após a vacina, tudo volta ao normal ou as medidas de prevenção continuam?


Medidas de proteção continuam.


Respondendo as duas questões acima: Há grande probabilidade de você estar protegido com uma vacina de alta eficácia. Entretanto, todos os produtores de vacina concordam que levarão alguns anos até que vacinas para todos estejam disponíveis. E, mesmo com uma vacina que tenha eficácia de 95%, 5 em cada 100 pessoas não estarão protegidas. Para a imunização ser mais efetiva e voltarmos à nossa rotina normal, sem máscara ou isolamento, é necessário que haja vacinação em massa. Com imunização de boa parte da população, há redução da circulação do vírus e temos uma imunidade comunitária; ou seja, é necessário ter ampla distribuição da vacina para termos proteção em base populacional. Portanto, até termos um número suficientemente grande de pessoas imunizadas para reduzir a circulação do vírus, é necessário manter as medidas de proteção.

Vale lembrar que até o momento as vacinas foram testadas para evitar a doença e ainda não se sabe se serão capazes de evitar a infecção ou transmissão do vírus. Além disso, medidas isoladas não resolvem completamente o problema!


As aulas presenciais podem voltar nesse ano, tem previsão?


As aulas presenciais podem retornar esse ano, conforme PORTARIA MEC Nº 1.038, DE 7 DE DEZEMBRO DE 2020. "Art. 1º As atividades letivas realizadas por instituição de educação superior integrante do sistema federal de ensino, de que trata o art. 2º do Decreto nº 9.235, de 15 de dezembro de 2017, deverão ocorrer de forma presencial a partir de 1º de março de 2021, recomendada a observância de protocolos de biossegurança para o enfrentamento da pandemia de Covid-19." (NR). "Art. 2º Os recursos educacionais digitais, tecnologias de informação e comunicação ou outros meios convencionais poderão ser utilizados em caráter excepcional, para integralização da carga horária das atividades pedagógicas, no cumprimento das medidas para enfrentamento da pandemia de Covid-19 estabelecidas em protocolos de biossegurança.


Vai ser necessário comprovante de vacinação para retornar ao Campus?


O CONSUNI ainda não deliberou sobre o assunto. Há previsão da revisão da resolução 35 que trata sobre as questões de biossegurança, relacionadas a COVID-19


As aulas só retornam depois de todos vacinados?


O CONSUNI ainda não deliberou sobre o assunto. Há previsão da revisão da resolução 35 que trata sobre as questões de biossegurança, relacionadas a COVID-19.


A universidade vai se responsabilizar por imunizar servidores e alunos?


Não. Essa é uma competência do governo federal por meio do Sistema Único de Saúde. O Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, apresentado pelo governo, prevê quatro grupos prioritários que somam 50 milhões de pessoas, o que vai demandar 108,3 milhões de doses de vacina, já incluindo 5% de perdas, uma vez que cada pessoa deve tomar duas doses em um intervalo de 14 dias entre a primeira e a segunda injeção. O primeiro grupo prioritário, a ser vacinado na fase 1, é formado por trabalhadores da saúde (5,88 milhões), pessoas de 80 anos ou mais (4,26 milhões), pessoas de 75 a 79 anos (3,48 milhões) e indígenas com idade acima de 18 anos (410 mil). A fase 2 é formada por pessoas de 70 a 74 anos (5,17 milhões), de 65 a 69 anos (7,08 milhões) e de 60 a 64 anos (9,09 milhões).

Na fase 3, a previsão é vacinar 12,66 milhões de pessoas acima dos 18 anos que tenham as seguintes comorbidades: hipertensão de difícil controle, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer e obesidade grave (IMC maior ou igual a 40). Na fase 4, deverão ser vacinados professores do nível básico ao superior (2,34 milhões), forças de segurança e salvamento (850 mil) e funcionários do sistema prisional (144 mil). O Ministério da Saúde pondera, no documento, que os grupos previstos ainda são preliminares e poderão ser alterados.


Como saber quando vou me vacinar, tenho 28 e não sou grupo de risco?


Ainda não há agenda ou prazo definido. Conforme o plano nacional ainda podem ocorrer mudanças no planejamento.


Toda a população será vacinada?


Por hora não é possível afirmar, desde que o plano nacional de imunização contra COVID não incluiu toda população.


Os alunos dos cursos de saúde serão vacinados nesse início de campanha?


Não.


Estudantes serão os últimos a serem vacinados?


Ainda não há previsão para vacinação dos estudantes.


Estudantes de medicina terão prioridade?


Não há menção de prioridade estudantil ainda, no plano nacional de imunização contra COVID-19.


Estagiário de medicina veterinária pode tomar essas primeiras doses?


Não há menção de prioridade estudantil ainda, no plano nacional de imunização contra COVID-19.


Estudantes de saúde terão prioridade? Se sim, as aulas presenciais serão possíveis?


Não há menção de prioridade estudantil ainda, no plano nacional de imunização contra COVID-19.


Só quem tiver vacinado poderá voltar as aulas presenciais?


Não há definição sobre o assunto. Ainda devemos aguardar deliberação do CONSUNI.


Sou estudante de medicina do 7 período, tenho direito?


Não há menção de prioridade estudantil ainda, no plano nacional de imunização contra COVID-19.


Os professores estavam no 4 grupo de prioridade, mas parece que os do ensino superior foram retirados.


Não se pode afirmar. Na fase 4, deverão ser vacinados professores do nível básico ao superior (2,34 milhões), forças de segurança e salvamento (850 mil) e funcionários do sistema prisional (144 mil). O Ministério da Saúde pondera, no documento, que os grupos previstos ainda são preliminares e poderão ser alterados.

Confira abaixo vídeo com a professora Gabriela Gonçalves de Oliveira sobre a campanha de vacinação em andamento no Brasil.


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