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Curso de Zootecnia Parauapebas da UFRA se consolida: qualidade e bom desempenho junto ao MEC

A história do curso de Zootecnia do campus de Parauapebas da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) teve início em 2006, com a portaria de autorização junto ao Ministério da Educação (MEC). Pouco depois do reconhecimento do curso, porém, em 2013, o curso obteve resultados insatisfatórios em importantes avaliações: conceito 1 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e nota 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC). O fato, que pegou a comunidade acadêmica de surpresa, levou, em 2015, à suspensão temporária da autonomia do curso para abertura de novas vagas.

Texto Jussara Kishi

Arte Mariane Smith

Fonte Portal Ufra | Ascom Ufra



Hoje, cinco anos depois, o curso não apenas retomou sua autonomia como compõe a disputada lista de cursos com nota 4 no CPC, equivalente ao conceito “Muito Bom” no indicador de qualidade estabelecido pelo MEC, demonstrando sua evolução e sua importância para o desenvolvimento da região. De acordo com o coordenador do curso, professor Perlon Maia, o bom desempenho é resultado de um trabalho em conjunto: “A compilação das informações referentes à avaliação de curso e desempenho no Enade culminou numa série de ações de discentes, docentes e técnicos que levaram ao excelente resultado da atual avaliação”.


O CPC, que avalia os cursos de graduação em uma escala de 1 a 5, leva em consideração a nota dos alunos concluintes no Enade, a proporção de professores mestres e doutores e as respostas no Questionário do Estudante referentes a organização didático-pedagógica, infraestrutura e oportunidades de ampliação de formação acadêmica e profissional, entre outros critérios.


O professor atribui o resultado insatisfatório naquele ano à amostra tomada à época para realizar a prova Enade e à condição de, ainda, estruturação do curso. “O acontecido chamou ainda mais a atenção do corpo docente para a necessidade de mais zelo com os alunos e com os próprios professores, em relação ao Enade”. Ele explica que os trabalhos iniciais foram de produzir recurso à medida cautelar do MEC e firmar termo de compromisso. Em avaliação in loco do curso, obteve-se o conceito 4, o que contornou a questão do fechamento do curso. Porém o plano de melhorias foi além.


Na avaliação do diretor do campus Parauapebas, professor Rennan Oliveira, há um paradoxo muito importante a ser considerado. “A cidade de Parauapebas é conhecida como sendo a capital nacional do minério de ferro, e sua economia gira em torno dos empregos diretos e indiretos gerados pela Vale e terceirizadas, além da prefeitura municipal de Parauapebas. A produção animal no município é relativamente inexpressiva ainda”. A própria falta de conhecimento sobre o curso e a profissão de zootecnista na região passou a ser um problema, uma vez que parte dos alunos não possuía o perfil para a área.


Após o choque inicial da suspensão das novas vagas, a equipe do campus precisou fazer uma reavaliação de todo o contexto. “Começamos a nos sentir ameaçados e nos perguntando o que fazer caso o curso fechasse. Diante desse questionamento, conseguimos internalizar que precisávamos sair da zona de conforto e partimos para a elaboração de um rigoroso e meticuloso plano de ação, que envolvia maior divulgação do curso nas escolas de ensino médio do município e municípios vizinhos, fortalecimento das unidades demonstrativas de bovinocultura de corte e de leite, ovinos, aves, peixes, pastagens etc., maior participação nos programas de iniciação científica, programas de extensão, pós-graduação, realização de eventos, palestras, dias de campo etc.”, explica.


Como consequência, hoje o curso é o maior em número de projetos aprovados por seus docentes e financiados por órgãos de fomento. As mudanças levaram à criação de uma identidade com o curso, o que impactou positivamente o desempenho dos estudantes. “Hoje nossos alunos de Zootecnia se sentem pertencentes, inseridos nesse mundo de produção animal. Conseguimos sentir isso pela mudança de atitude, como nos assuntos nas rodas de conversa ou na forma de se vestir e se portar diante de um produtor rural. Vejo que hoje nossos alunos conseguem viver dentro e fora da universidade o significado mais estrito do que é ser um zootecnista, e isso se demonstra no desempenho nas avaliações”, resume o diretor do campus.


Paralelamente, a coordenação do curso seguiu trabalhando ações de orientação sobre as ferramentas de avaliação do curso junto a docentes e discentes. “Foram estudados os itens com baixas pontuações para orientar ações sanitizantes e foram feitas autoavaliações, com auxílio das Pró-Reitorias de Ensino (Proen) e Planejamento (Propladi) da Ufra”, conta o professor Perlon Maia. Entre as ações tomadas estão atualização do curso, capacitação, reuniões sobre a importância do Enade, provas simuladas e orientações da equipe psicopedagógica. “Enfatizou-se a necessidade de melhorar ainda mais o nível de conhecimento profissional do aluno para sua vida profissional”.


Bom desempenho em todos os cursos do campus


Não é somente Zootecnia que detém o conceito 4 na Ufra Parauapebas. Atualmente, quatro cursos do campus detêm esta nota. Agronomia, Engenharia Florestal e Engenharia de Produção também receberam o conceito “Muito Bom” em suas respectivas avaliações. Já o curso de Administração foi além e foi o único a conquistar a nota 5, “Excelente”. “Acredito que isso seja resultado do comprometimento de todos os que fazem parte do campus: docentes, discentes, técnicos administrativos e terceirizados. Se duvidar, até os animais e plantas que tem aqui”, brinca o professor Rennan Oliveira, destacando, ainda, o trabalho sinérgico das coordenações de cursos, direção, Proen, Proped, Proex e Reitoria.

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