• Sintonia

Criação de bosque na Ufra homenageia aqueles que foram a óbito durante a pandemia

Segundo ano de pandemia e segundo ano demudanças expressivas e ausências insubstituíveis. Nesse período, a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), assim como tantos lares, também perdeu terceirizados, técnicos, alunos, servidores e professores. Amigos que agora seguem fazendo parte da memória e da história da Rural. Foi pensando nessa saudade e em uma forma de homenagear os que partiram, que o grupo Pet florestal, em parceria com a Prefeitura do campus, decidiram transformar o luto em uma lembrança viva: um bosque.

Por Vanessa Monteiro, jornalista, Ascom Ufra

Fotos Pet Florestal

Fonte Portal Ufra

"A ideia surgiu do acompanhamento da situação das famílias que perderam e continuam perdendo seus entes queridos durante a pandemia, muitas vezes sem a oportunidade de ter um momento de despedida, por causa dos protocolos de segurança. Nós percebemos que a existência de um espaço onde fosse possível fazer uma homenagem, eternizando essas pessoas na forma de um outro ser vivo, poderia amenizar um pouco o sofrimento. A implantação do Bosque é uma homenagem a todos os servidores, discentes e familiares que foram a óbito durante o período de pandemia, vítimas ou não da COVID-19", diz a professora Gracialda Ferreira, tutora do grupo Pet Florestal.


No último sábado (05), o grupo e alguns voluntários iniciaram o plantio do "Bosque da Paz: professora Selma Ohashi", docente que faleceu em 2020. A professora ingressou na Ufra em 1982, se aposentando em 2017, após 35 anos dedicados ao ensino, pesquisa e extensão da Ufra. Mesmo depois da aposentadoria, a professora continuou exercendo atividades na universidade, especialmente junto aos seus alunos. A homenagem teve a participação de familiares da professora, funcionários terceirizados, docentes e alguns alunos, em função das restrições e protocolos de segurança.


O bosque está inicialmente formado por mudas de espécies florestais arbóreas de interesse econômico e ecológico (espécies raras, ameaçadas de extinção, medicinais etc.) e espécies frutíferas. Foram plantadas 80 mudas, que incluem árvores de mogno-brasileiro, ipê-amarelo, cuieiras, puxuri, cumaru, munguba, bacuri-pari, açaí, cacau e cupuaçu. As mudas foram doadas pelo Laboratório de Sementes e Mudas da Embrapa Amazônia Oriental e pelo Ideflor-Bio.


"As espécies foram escolhidas pensando em diversos fatores, como a ocorrência natural na Amazônia; fácil adaptação, adequação ao ambiente (não crescer muito), interesse ecológico e cultural; o fato de serem produtoras de frutas, medicamentos para os frequentadores ou mesmo para pesquisas dos discentes", diz a pesquisadora.


Espera-se que entre três e cinco anos as espécies já estejam frutificando. A intenção é que, além das homenagens, o bosque também seja um espaço de bem-estar, socialização e integração de servidores e discentes.


Mais mudas devem ser plantadas no bosque, e em outros espaços da instituição. Quem tiver interesse em contribuir com a ação, pode entrar em contato com o grupo Pet Florestal, pelo email ufra.petflorestal@gmail.com ou com a Prefeitura do Campus.


"Ter a possibilidade de homenagear um ente querido por meio do plantio de um ser vivo que só traz benefícios ao planeta é um grande privilégio. Homenagear minha grande parceira profissional e amiga Selma Ohashi com a implantação de um espaço que ela prezava muito, dentro da UFRA que chegou a ser a sua primeira casa, junto com um grupo de alunos que ela carinhosamente chamava de “criaturas” foi sem dúvida uma oportunidade ímpar de tê-la viva entre nós", diz a professora, que também homenageou familiares e alunos.


O Bosque Selma Ohashi está localizado no campus Belém, em uma área aberta entre o prédio da Assessoria de Comunicação e a Garagem.




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